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// SEGURANÇA · CONTROLE DE EXPORTAÇÃO

Taiwan acusa oito por suposto desvio de servidores B300

Promotores dizem que declarações falsas e uma inspeção incompatível liberaram 130 unidades. Oito réus respondem pelo núcleo de exportação; não há sentença.

Por Redação·21 set 2026·Security
dois racks azuis abertos com placas eletrônicas e cabeamento numa instalação de pesquisa
Foto ilustrativa de racks e cabeamento numa instalação de pesquisa. O equipamento não é um servidor B300 e não faz parte do caso investigado em Taiwan. Eric Stoynov / Unsplash

A Promotoria Distrital de Keelung encerrou em 24 de agosto a investigação sobre a venda e a saída de servidores de IA equipados com GPUs NVIDIA B300. O comunicado oficial acusa oito pessoas de participação no núcleo de exportação e inclui um nono réu num caso financeiro relacionado. Outro suspeito citado como controlador de fato de uma das empresas permanece procurado.¹

Segundo a acusação, um pedido de 130 servidores Supermicro passou por controles de comprador e uso final com declarações falsas, informações omitidas e uma inspeção incompatível com o volume comprado. A promotoria afirma que 74 unidades chegaram a clientes na China. As 56 restantes foram detidas em Taiwan depois que a alfândega exigiu uma licença para a exportação declarada ao Japão.¹

O documento apresenta a versão da promotoria. Os nove réus não foram julgados, e os pedidos de pena publicados não são sentenças. NVIDIA e Supermicro aparecem como fabricantes e empregadores de alguns acusados; nenhuma das duas empresas foi denunciada nesse processo.¹

O pedido foi aprovado em três etapas

A B300 é uma GPU da geração Blackwell Ultra usada em sistemas de computação para IA.⁶ O processo descrito em Keelung trata de servidores fabricados pela Supermicro e integrados com esse componente, entregues em três lotes: 2 unidades no primeiro, 64 no segundo e 64 no terceiro.¹

O comunicado diz que a política de venda exigia que o comprador estivesse numa whitelist, apresentasse declarações de usuário e uso final e aceitasse a proibição de revenda. A aprovação passava por unidades taiwanesas e pelas matrizes da NVIDIA e da Supermicro. Compras a partir de oito servidores também exigiam uma visita com equipes comerciais e técnicas.¹

A Flying Tiger, uma empresa de comércio taiwanesa, teria informado ser a usuária final, indicado Taiwan como país de instalação e declarado que não exportaria ou reexportaria os equipamentos a destinatários sancionados pelos Estados Unidos. A promotoria sustenta que a intenção já era atender compradores chineses. Essa afirmação ainda será examinada em juízo.¹

Entre os oito acusados no núcleo de exportação estão um gerente da divisão de distribuição da NVIDIA Taiwan e dois executivos seniores de vendas da subsidiária taiwanesa da Supermicro. O grupo inclui ainda gestores ligados à revendedora que financiou o pedido, à empresa compradora, ao data center apresentado na inspeção e às companhias usadas na exportação. O PDF identifica as pessoas apenas por sobrenomes ou caracteres parciais.¹

O comunicado atribui as condutas a pessoas específicas. Funcionários alheios ao suposto acordo teriam aprovado o pedido com base nas informações apresentadas. O documento não atribui participação às empresas nem conhecimento à administração da NVIDIA ou da Supermicro.¹

A inspeção encontrou uma instalação incompatível

Uma declaração datada de 8 de setembro de 2025 indicou a Flying Tiger como usuária final e uma instalação taiwanesa como destino. Dois dias depois, representantes foram ao local. A promotoria alega que participantes da transação sabiam que uma cotação estava sendo usada como se fosse contrato de locação e que o espaço de racks, a energia e a capacidade de rede eram insuficientes para 130 sistemas.¹

Segundo o PDF, essas limitações foram ocultadas de outros funcionários que participaram da visita. O gerente da NVIDIA Taiwan acusado no caso teria informado por e-mail que a inspeção havia sido realizada, enquanto executivos associados ao revendedor e à Supermicro teriam encaminhado os documentos de aprovação. A revendedora Albatron também teria adiantado o dinheiro da compra, o que teria evitado a análise prevista sobre a origem dos recursos da Flying Tiger.¹

A verificação de usuário final depende das evidências disponíveis em cada etapa. Uma visita física registra as condições do local e as informações fornecidas pelos participantes. No processo taiwanês, a promotoria precisa demonstrar que os acusados conheciam o destino alegado e agiram para ocultá-lo. O comunicado sozinho não permite avaliar a eficácia dos controles usados em outras vendas.

A conta das unidades termina em 74 e 56

Os dois servidores da primeira etapa foram reunidos a 14 do lote seguinte e enviados diretamente à China em janeiro de 2026, segundo a promotoria. Outros 50 teriam passado pela Indonésia antes de chegar a clientes chineses. O terceiro caminho levou 8 unidades ao Japão, depois a Hong Kong e enfim à China. A soma das entregas alegadas é de 74 servidores: 16 diretos, 50 via Indonésia e 8 pelo circuito Japão–Hong Kong.¹

Restavam 56 unidades do terceiro lote. Elas foram declaradas para uma empresa no Japão. A alfândega taiwanesa encontrou irregularidades e exigiu uma licença de exportação para bens estratégicos. A promotoria acusa três envolvidos de apresentar materiais falsos como apoio ao pedido de licença em 15 de abril. O processo foi descoberto antes da emissão, e os servidores não deixaram Taiwan.¹

A retenção interrompeu aquela remessa. Ela não recuperou as 74 unidades que, segundo os promotores, já haviam chegado à China e tampouco prova por si só as condutas atribuídas a cada réu.

O nono réu responde por um caso financeiro relacionado

A contagem de nove acusados reúne dois núcleos. Oito respondem por suspeitas de violação de dever fiduciário e falsificação de documentos ligadas ao pedido e às exportações. O nono réu, responsável por uma pequena empresa de eletrônicos, foi acusado no caso financeiro ao lado de duas pessoas que também estão no núcleo principal.¹

Nesse segundo caso, a promotoria alega que quatro faturas cobraram cerca de NT$ 39,16 milhões por instalação e configuração que não teriam ocorrido. A imputação é de violação especial de dever fiduciário sob a lei taiwanesa do mercado de capitais. O suspeito procurado pertence à narrativa do núcleo de exportação e não está entre os nove denunciados nessa etapa.¹

Os promotores pediram cinco anos de prisão para quatro acusados do núcleo de exportação, três anos para dois e dezoito meses para outro. Solicitaram seis anos para um dos réus no caso financeiro e tratamento mais brando para duas pessoas que, segundo o comunicado, confessaram e cooperaram.¹ Cabe ao tribunal decidir sobre culpa e eventual pena; todos permanecem presumidos inocentes.

As empresas deram respostas separadas

A NVIDIA disse à Associated Press que trabalhará com as autoridades de Taiwan para ajudar a resolver as alegações. A Supermicro afirmou à AP que os dois ex-funcionários presos deixaram a empresa e que continuará aprimorando seu programa de controle de exportações.⁵

Em uma declaração de maio sobre a fase anterior da investigação taiwanesa, a Supermicro disse que sua cooperação levou a três prisões e à apreensão de 50 servidores. A empresa afirmou que a venda inicial a um revendedor autorizado passou por uma revisão rigorosa e que o risco surgiu em revendas posteriores fora de seu controle direto. Essa é a posição da companhia; o comunicado de Keelung agora atribui condutas individuais a pessoas que atuavam em vários pontos do canal.²

Uma denúncia federal aberta em Nova York em março envolve três outras pessoas e transações de 2024 e 2025. O Departamento de Justiça americano descreve outra suposta operação e registra que as acusações ainda precisam ser provadas.⁴ Em 20 de agosto, a Supermicro disse que uma investigação conduzida por membros independentes do conselho não encontrou evidência de que atuais integrantes da alta administração conhecessem o suposto esquema de desvio ou qualquer desvio efetivo. A empresa não foi ré nessa denúncia.³ Esses achados corporativos não decidem as acusações apresentadas em Taiwan.

Fontes

  1. 基隆地檢偵結不法出口高階伺服器案件,並起訴被告 9 人 · Promotoria Distrital de Keelung · https://www.klc.moj.gov.tw/media/450456/1150824%E5%9F%BA%E6%AA%A2%E5%81%B5%E7%B5%90%E4%B8%8D%E6%B3%95%E5%87%BA%E5%8F%A3%E9%AB%98%E9%9A%8E%E4%BC%BA%E6%9C%8D%E5%99%A8%E6%A1%88%E4%BB%B6%E6%96%B0%E8%81%9E%E7%A8%BF.pdf?mediaDL=true · 24 ago. 2026
  2. Supermicro Collaborates with Taiwanese Authorities to Prevent Illicit Diversion of Server Technology · Supermicro · https://www.supermicro.com/en/pressreleases/supermicro-collaborates-taiwanese-authorities-prevent-illicit-diversion-server · 28 maio 2026
Mostrar mais 4 fontesOcultar fontes
  1. Supermicro Announces Completion of Independent Investigation and Continued Enhancement of Export Compliance Program · Supermicro · https://www.supermicro.com/en/pressreleases/supermicro-announces-completion-independent-investigation-and-continued-enhancement · 20 ago. 2026
  2. Three Charged With Conspiring To Unlawfully Divert U.S. Artificial Intelligence Technology To China · Departamento de Justiça dos EUA · https://www.justice.gov/usao-sdny/pr/three-charged-conspiring-unlawfully-divert-us-artificial-intelligence-technology-china · 19 mar. 2026
  3. Taiwan charges 9 over illegal AI server exports to China, including Nvidia and Super Micro staff · Associated Press · https://apnews.com/article/511e9ae69d517c49f19512d45b1a8b0c · 24 ago. 2026
  4. NVIDIA DGX B300 · NVIDIA · https://www.nvidia.com/zh-tw/data-center/dgx-b300/ · consultado em 26 ago. 2026

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