Plex2Shell: como quatro falhas do Plex viram um 9.8
A CISA incluiu no catálogo KEV as quatro falhas do Plex Media Server encadeadas no Plex2Shell. Cada uma, sozinha, fica entre média e alta; juntas dão execução remota de código sem login.

Em 20 de outubro, a CISA acrescentou ao catálogo de vulnerabilidades exploradas (KEV) quatro falhas do Plex Media Server: CVE-2026-96652, CVE-2026-96654, CVE-2026-96655 e CVE-2026-96656.³ Elas formam o Plex2Shell, uma cadeia que o pesquisador Zach Main avalia em 9.8 no CVSS e que leva um atacante da internet à execução de código no servidor, sem autenticação.¹ Individualmente, as falhas ficam entre média e alta gravidade: 5.3, 5.3, 6.9 e 8.6 no CVSS.²⁵
A correção existe desde 4 de agosto, na versão 1.43.3.10861.² Servidores anteriores a ela continuam vulneráveis.
A cadeia, passo a passo
Main descreve cinco etapas, cada uma apoiada numa suposição de confiança que não se sustenta.¹
- SSRF sem login em
/player/timeline. A verificação de token só testa se o parâmetroX-Plex-Tokenexiste, não se é válido. Um valor deprotocolsem validação, na URL de callback de uma assinatura, faz o servidor enviar um POST cego para o próprio endereço de loopback. - Salto para
/system/agents/*. Essa família de APIs dispensa token em loopback. Um decorator@lockdescarta o valor devolvido pela checagem interna, e o guarda de identificador emagentservice.pynão impede a chamada asearchOne. O identificador também entra na URL sem codificação, e caracteres como?e#alteram a requisição. - Roubo do token do dono. O framework de plugins anexa o token do dono a toda requisição de saída cuja URL comece com
http://127.0.0.1. A comparação é só por prefixo, e um hostname parecido satisfaz a regra. O alvo é a funçãoGetResultFromNetworkdo agente do TheTVDB. - Entrega do payload. Com o token, o atacante define a preferência
TranscoderH264Optionsem/:/prefs. Ela repassa a opçãodump-yuvao x264, que grava frames decodificados no caminho escolhido, dentro do diretório de codecs. Em seguida, um pedido ao endpoint/video/:/transcode/universalfaz o servidor baixar e transcodificar um vídeo hospedado pelo atacante, cujo primeiro frame carrega, byte a byte, uma biblioteca.so. - Execução. No próximo transcode, o
libavutil.so.58embarcado chamadlopenem todo arquivo.sodesse diretório, sem validar nome nem assinatura. Um construtor no arquivo gravado roda como o usuárioplex.
Por que a soma passa de qualquer parcela
BleepingComputer descreve os quatro CVEs como um SSRF sem autenticação em /player/timeline, uma injeção de URL no searchOne, um SSRF autenticado no endpoint do transcoder e uma escrita arbitrária de arquivo nas configurações do transcoder, esta última exigindo conta de administrador.² Tomadas isoladamente, as três últimas pedem acesso que o atacante não tem. A primeira abre a porta, e o resto da cadeia fabrica o que falta: o tráfego de loopback dispensa token, o token do dono sai de graça por um prefixo de string e o arquivo gravado vira código.
Duas decisões de projeto aparecem repetidas. Tráfego vindo de 127.0.0.1 é tratado como confiável, embora um SSRF faça qualquer requisição parecer local. E uma URL é aceita por começar com certo texto, embora o início de uma string não diga quem é o destinatário.
Cronologia e exploração
Main relatou as falhas à Plex em 27 de julho. A empresa as reconheceu e pagou a recompensa em 4 de agosto, os CVEs foram atribuídos em 23 de setembro e a análise técnica saiu em 16 de outubro.¹ A prova de conceito saiu no GitHub junto com a análise, segundo a Field Effect.⁵
Os primeiros ataques vistos em campo datam de 17 de outubro. O autor de um honeypot com uma versão vulnerável do Plex registrou a exploração naquela manhã e, ao longo do dia, o download do minerador XMRig e de uma ferramenta de proxy.⁴ A Field Effect relata o mesmo perfil de payload: mineradores de criptomoeda e malware de proxy.⁵
O registro da CISA lista as quatro falhas com data de inclusão de 20 de outubro. Os prazos diferem: 23 de outubro para o CVE-2026-96654 e o CVE-2026-96656, e 3 de novembro para o CVE-2026-96652 e o CVE-2026-96655.³ O BleepingComputer, que publicou em 21 de outubro, cita o prazo de 23 de outubro para agências federais.²
Servidores caseiros e atualização manual
A Shadowserver Foundation contava, no início de setembro, mais de 36 mil instâncias do Plex Media Server expostas à internet e sem o patch.⁵ A Field Effect recomenda conferir a versão instalada na interface do Plex, em especial em NAS e outros aparelhos que não se atualizam sozinhos, e inventariar todos os servidores, VMs e ambientes remotos.⁵
Quem estava exposto e rodava versão vulnerável precisa fazer mais que atualizar. A Field Effect aponta como indícios de comprometimento arquivos inesperados no diretório de codecs, processos novos lançados pelo serviço do Plex, uso de CPU alto e contínuo e conexões de saída incomuns, e observa que um servidor pode continuar comprometido depois do patch se o atacante tiver chegado antes. Para máquinas que ficaram expostas com versão vulnerável, a recomendação é uma análise forense.⁵
Fontes
- Plex2Shell · Zach Main · zmain.info · https://zmain.info/blog/plex2shell · out. 2026
- CISA: Hackers chain Plex flaws in Plex2Shell attacks to breach servers · Bill Toulas · BleepingComputer · https://bleepingcomputer.com/news/security/cisa-hackers-chain-plex-flaws-in-plex2shell-attacks-to-breach-servers · 21 out. 2026
Mostrar mais 3 fontesOcultar fontes
- Known Exploited Vulnerabilities Catalog · CISA · https://www.cisa.gov/known-exploited-vulnerabilities-catalog · acesso em 29 out. 2026
- Plex vulnerabilities being exploited in the wild · Bored Hacker Blog · http://www.boredhackerblog.info/2026/10/plex-vulnerabilities-being-exploited-in.html · 17 out. 2026
- Active exploitation of Plex2Shell vulnerabilities · Field Effect · https://fieldeffect.com/blog/active-exploitation-plex2shell-vulnerabilities · out. 2026