O transformador de estado sólido de 1 MW mira data centers
NC State, NYPA e EPRI testaram um SST de 1 MW num alimentador real. Ele combina transformador e retificador; não há cliente nem implantação em data center divulgados.

NC State, New York Power Authority e EPRI conectaram um protótipo de transformador de estado sólido de até 1 MW a um alimentador de distribuição real no laboratório de entrega de energia do EPRI em Lenox, Massachusetts. O teste, anunciado em 18 de agosto, levou o equipamento à escala de uma carga industrial sem sair de um ambiente supervisionado.¹
Segundo Srdjan Lukic, pesquisador principal do projeto, foi o primeiro transformador de estado sólido de classe megawatt verificado de forma independente num feeder ativo de uma concessionária.¹ A qualificação pertence à equipe que construiu o sistema. As fontes publicadas não mostram um data center ligado ao protótipo, nem informam venda, pedido comercial ou operação contínua fora do laboratório.
O interesse dos data centers vem da função que o equipamento reúne. A rede entrega corrente alternada em média tensão, enquanto servidores e outros equipamentos eletrônicos consomem energia a partir de barramentos de corrente contínua em tensões menores. A instalação convencional usa um transformador para baixar a tensão e um retificador para converter AC em DC. O protótipo faz as duas etapas numa arquitetura controlada por eletrônica de potência.¹
O projeto começou como carregador de veículos
O hardware não nasceu para uma sala de servidores. O Departamento de Energia dos Estados Unidos financiou o trabalho sob o award DE-EE0008450 como uma estação modular de carregamento ultrarrápido de veículos elétricos. O projeto previa conexão direta à rede de média tensão, um transformador de estado sólido bidirecional de 1 MVA e um barramento DC compartilhado, com proteção de estado sólido para distribuir energia entre os pontos de carga.² ³
Essa origem explica a escala e parte do controle embutido. Carregadores rápidos precisam levar muita potência até cargas DC sem depender de uma entrada convencional de baixa tensão para cada gabinete. O relatório final do projeto descreve o SST como a interface entre a distribuição de média tensão e o barramento comum, deixando conversores locais atenderem os veículos.³
A aplicação em data centers reaproveita a mesma fronteira elétrica. Um operador poderia receber média tensão e produzir DC dentro de um conjunto integrado, reduzindo equipamentos intermediários. Essa possibilidade de arquitetura ainda não tem integração publicada com uma instalação existente. Topologias de redundância, UPS e tensões internas variam entre operadores.
O design separa 1 MW de 1 MVA
O release de 2026 diz que o protótipo suporta até 1 MW, unidade de potência ativa. O paper técnico descreve um projeto de 1 MVA, potência aparente que também incorpora o efeito de tensão e corrente fora de fase.⁴ Os valores podem ficar próximos quando o fator de potência se aproxima de um; as unidades medem grandezas diferentes.
No design publicado, uma entrada trifásica de 13,2 kV chega a um retificador ativo formado por pontes H em cascata. Em seguida, conversores dual-active-bridge transferem energia por transformadores de alta frequência com isolamento galvânico. Os módulos trabalham em série do lado de média tensão e em paralelo na saída, formando um barramento de 750 V DC.⁴
O nome “estado sólido” se refere aos semicondutores que chaveiam e controlam essa conversão. O isolamento magnético continua presente, só que opera em frequência muito maior que os 50 ou 60 Hz da rede. A frequência elevada permite reduzir os componentes magnéticos. Em troca, o sistema ganha muitos interruptores de potência, drivers, sensores e software de controle que precisam trabalhar de forma coordenada.
Uma falha num módulo não pode colocar o barramento DC ou o feeder de 13,2 kV em risco. O projeto monitora sobrecorrente e tensão, coordena o desligamento dos estágios e prevê caminhos para isolar falhas.⁴ O trabalho do DOE já listava integração em média tensão, proteção DC e implantação entre as barreiras do programa.²
Os 98% comparam duas cadeias completas
NC State atribui cerca de 96% de eficiência ao conjunto convencional formado por transformador e retificador, com aproximadamente 4% da potência perdida como calor. Para o SST, o release informa cerca de 98%, ou perda próxima de 2%.¹ O denominador inclui toda a cadeia de conversão AC/DC. A curva de um transformador passivo isolado fica fora dessa comparação.
Dois pontos percentuais chamam atenção numa carga grande e duradoura porque o calor da conversão também precisa ser retirado da instalação. O release associa a eficiência e o tamanho menor a locais com pouco espaço, mas não publica curva de rendimento por carga, dimensões, massa ou densidade volumétrica do protótipo usado em Lenox.¹ A vantagem física ou financeira de um projeto real continua sem medida independente.
O custo permanece sem base de comparação. A eletrônica de potência substitui dois conjuntos por uma unidade com controle mais fino, fluxo bidirecional e regulação de tensão.¹ Ela também concentra semicondutores de média tensão e proteção especializada. As fontes não divulgam preço de aquisição, contrato de manutenção ou vida útil comparável à de um transformador convencional.
Data centers são o mercado potencial citado
NC State apresenta data centers como instalações que podem valorizar menor perda de conversão e menor ocupação.¹ A carga elevada mantém equipamentos de energia e refrigeração trabalhando por longos períodos, e cada espaço reservado à infraestrutura elétrica disputa área com servidores. Um barramento DC integrado também pode facilitar o fluxo bidirecional e a regulação de tensão, desde que a proteção e o controle da instalação sejam projetados para isso.
O teste de Lenox resolve uma etapa anterior à compra: mostra que um SST de classe megawatt pode operar ligado a um feeder real sob supervisão independente do EPRI. Ainda faltam dados públicos de operação prolongada, disponibilidade e reparo em campo. Concessionárias e operadores precisarão qualificar isolamento, resposta a falhas e compatibilidade com seus esquemas de proteção. Equipes de manutenção também terão de lidar com módulos eletrônicos e software no lugar de um conjunto predominantemente passivo.
Esse caminho comercial exige um ganho de espaço e energia capaz de pagar o equipamento, a qualificação e o suporte durante sua vida útil. O protótipo de 1 MW deixa essa conta em aberto. A demonstração elétrica permite que um futuro cliente comece a calculá-la.
Fontes
- NC State, New York Power Authority and EPRI Demonstrate Solid State Transformer Success Under Real World Conditions · NC State University · https://research.ncsu.edu/nc-state-new-york-power-authority-and-epri-demonstrate-solid-state-transformer-success-under-real-world-conditions/ · 18 ago. 2026
- Intelligent, grid-friendly, modular extreme fast charging system with solid-state DC protection · U.S. Department of Energy · https://www.energy.gov/eere/vehicles/articles/intelligent-grid-friendly-modular-extreme-fast-charging-system-solid-state-0 · projeto DE-EE0008450
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- Intelligent, grid-friendly, modular extreme fast charging system with solid-state DC protection · OSTI, relatório final · https://www.osti.gov/biblio/2371492 · 10 jun. 2024
- Design, Control, and Protection of a 13.2kV, 1MVA Solid State Transformer for Electric Vehicle Extreme Fast Charging Station · IEEE Transactions on Transportation Electrification / OSTI · https://www.osti.gov/servlets/purl/2561323 · DOI 10.1109/TTE.2024.3462920
— Redação